Potencializar o empreendedorismo periférico é responsabilidade coletiva

A procura por “ideias para empreender” deu um salto nas plataformas de pesquisa no Brasil durante a pandemia. Em 2021, o pico de popularidade desse tipo de busca foi entre 17 a 23 de janeiro, de acordo com o Google Trends. Mas o que é empreender? Ou melhor, o que essa palavra significa para uma mulher periférica?

As respostas podem ser variadas para mulheres trans e cisgêneras, negras, indígenas, mães solo, travestis e LGBTIQA+. Mas o que nos instiga é o potencial dessa palavra para todas elas. Onde é possível chegar? E o que falta para que esse caminho seja trilhado?

Em mundo pandêmico, o primeiro significado pode ser sobrevivência. Em 2020, as mulheres lideraram as estratégias de transformação digital. Um levantamento do Sebrae e da Fundação Getúlio Vargas, mostrou que a maioria das mulheres (71%) utilizou as redes sociais, aplicativos ou internet para vender os próprios produtos. Enquanto isso, o percentual de homens que faz uso dessas ferramentas é de apenas 63%.

Mulheres são inovadoras. Mas não é só de ideias que esses negócios sobrevivem, não é mesmo? A construção de um mundo em que esses projetos ganham força demanda capacitação, incentivo e potencialização, tudo o que nos tem sido negado até o momento.

Entre março e maio de 2021, o Energizze se propôs a construir e contar uma história diferente, em que esses sonhos se tornassem concretos. Com o apoio da EDP Brasil, estratégias de inovação foram distribuídas gratuitamente, com cursos gratuitos online. As capacitações abordaram temas como venda online, planejamento financeiro e fotografia.

Graciana Vinturino (33), de Vila Pavão (ES) é proprietária de um espaço de tratamentos estéticos naturais. Ela conta que o negócio foi criado em novembro de 2020, após ficar desempregada em plena pandemia. Para a empreendedora, a participação no Energizze foi um divisor de águas.

“O projeto foi crucial para perceber e solucionar minhas dificuldades enquanto empreendedora e mulher negra. Detalhes indispensáveis como precificação, atendimento, superação de desafios, marketing digital mostraram que as dificuldades existem, mas podem ser previstas e solucionadas’, explica.

Além de oferecer cursos virtuais gratuitos, o projeto lançou o 1º Desafio EDP de Empreendedorismo Periférico. As 20 participantes selecionadas, do Espírito Santo e de São Paulo, puderam apresentar os próprios negócios e as soluções desenvolvidas ao longo do desafio, com estratégias de inovação e sustentabilidade. Ao final da trilha formativa, as ideias passaram por uma votação popular e análise técnica.

A ideia era premiar essas ideias que nem sempre são vistas ou ouvidas. As vencedoras foram contempladas com prêmios de R$ 10 mil e 1 notebook (1º lugar), R$ 7 mil (2º lugar) e R$5 mil (3º lugar).

Entendemos que esse é o caminho e que o significado do verbo “empreender” pode variar de acordo com as vivências de cada uma dessas mulheres. Mas, em todas, há o potencial de transformar o que era um segredo de sobrevivência em um projeto de vida, na construção do próprio futuro com mais possibilidades, em qualquer direção que elas queiram ir. Potencializar esses caminhos continua sendo uma responsabilidade coletiva.