Nós da cultura: conheça os novos transformadores do agora

Após mais de 150 horas de imersão em uma trilha formativa, o Nós da Cultura lança ao mundo 59 mobilizadores sociais. Essa gente potente chega ao fim do percurso cheia de estratégia e com a certeza de que transformar territórios é uma tarefa para o agora.

Um dos objetivos do Nós da Cultura era potencializar a explosão de ideias escondidas nas periferias capixabas. Por isso, as formações alcançaram pessoas com projetos nas áreas da tecnologia, culinária, educação, dentre outros campos.

O foco foi direcionado a moradores de bairros em alta vulnerabilidade social, abrangidos pelo Programa Estado Presente ou inscritos no Cadastro Único. O intuito era ampliar a força que esses mobilizadores já possuíam, dando forma às diversas ideias e faces da criatividade.

São ideias como a da manicure Rosiane Santos (27), de Nova Venécia (ES), que agora pretende abrir uma oficina voltada para penteados afro, ou como a pedagoga Jenny Rodrigues (28), de São Mateus (ES), que finalmente irá dar um gás no podcast sobre educação social. “Eu queria fazer, eu tinha as ideias, mas eu não sabia como. O Nós da Cultura veio pegar na nossa mão e carregar a gente pelos caminhos que a gente deve trilhar”, conta Jenny.

Ao todo, 128 pessoas, em 15 territórios do Espírito Santo, se inscreveram para participar do projeto. Dentre os inscritos, 90,62% eram pessoas negras, 2,34% eram indígenas, 6,25% brancos e 0,78% amarelos.
Com o fim das inscrições, 60 mobilizadores foram selecionados. Além da capacitação, os participantes com mais de 80% de presença foram contemplados com uma bolsa de R$400,00.

O que o Nós fez comigo
Rosiane é manicure e pedicure em Nova Venécia. Ela conta que o Nós da Cultura foi uma oportunidade de ter acesso a conceitos da economia e finanças, além de poder ter contato com um novo mundo de ideias. “Eu entendia muito pouco da área da cultura, da arte e do empreendorismo e sempre tive interesse em aprender mais, só que não tinha muitas condições, então o Nós caiu de paraquedas na minha vida”, comenta.

Não só na vida da Rosiane. O Nós também impactou os facilitadores que participaram do projeto. A produtora cultural Vera Santana ministrou dois encontros sobre planejamento estratégico e conta que foi atravessada pela potência das turmas com as quais teve contato.

“Ouvi os relatos de cada uma daquelas pessoas que estavam ali ávidas por mudança individual, mas uma mudança individual que passa pela mudança social. Eles não conseguem entender a sua mudança efetiva, sem que o território onde eles atuam também seja modificado. Uma consciência social, ímpar e uma potência muito grande”, declara.

Essa urgência pela transformação conjunta está na essência do Nós da Cultura, no próprio nome do projeto, que é plural e coletivo. “Não tem como eu me sentir bem se as pessoas que estão à minha volta não estão bem […] aquele nó na minha garganta sempre vai estar ali”, ressalta Jenny

Para a pedagoga, o convívio virtual com pessoas pretas foi mais um ganho do Nós da Cultura. Um verdadeiro aquilombamento virtual. “É uma sensação de pertencimento e quando você vê só pessoas incríveis ali naquela sala, com ideias transformadoras – Eu falo de uma energia potente, transformadora no mesmo ambiente – você começa a ver que seus planos também são possíveis, sabe?”, enfatiza.

Ideias para mudar o mundo

E essa possibilidade é real. Um dos princípios do Nós da Cultura é transformar essas ideias em projetos concretos. O podcast da Jenny, agora ganhou uma nova visão. O projeto também será voltado para o empreendedorismo social, fomentando o comércio local e promovendo o consumo consciente. Ela e o parceiro Daniel também já constroem metas a longo prazo. “Daqui a vinte anos a gente quer ter uma escola estabilizada, renomada aqui no Espírito Santo”, revela.
Para a facilitadora Vera, as formações também representaram um novo olhar para si mesma e para a própria carreira. “O Nós da Cultura me trouxe muita vida, também me trouxe muita vontade de mudar, muita vontade de continuar o meu trabalho como formadora, como facilitadora de impacto social”, ressalta.

Texto por Sara de Oliveira Silva